Projeto Nacional uniu Indústria e I&D para criar valor na Economia do Mar

Da criação de patés, snacks marinhos ou peixe fumado de alto valor acrescentado até ao desenvolvimento de novos serviços e ferramentas para a aquacultura, que permitem uma gestão mais eficiente dos recursos, o projeto mobilizador ValorMar que decorreu entre outubro de 2017 e julho de 2021, desenvolveu um conjunto de soluções inovadoras, alicerçadas em conhecimento e em linha com as necessidades empresariais e as tendências de mercado. Os resultados do projeto foram apresentados a 13 de julho, no Terminal de Cruzeiros de Leixões em Matosinhos.
 
O projeto mobilizador ValorMar uniu empresas e entidades do sistema de I&D [Investigação & Desenvolvimento] que, ao longo de quatro anos, trabalharam conjuntamente para o desenvolvimento de produtos, processos e serviços inovadores que potenciam a valorização dos recursos marinhos através da integração das cadeias de valor, e em linha com as estratégias de descarbonização, digitalização e circularidade da economia.
 
O projeto estruturou-se em torno de quatro principais eixos de atuação. No primeiro foram desenvolvidas novas formulações alimentares utilizando combinações inovadores de recursos marinhos, incluindo micro e macroalgas, pescado e outros recursos, dando origem a novos produtos nutricionalmente ricos e mais saudáveis, como patés, conservas tipo refeição e snacks, com formulações clean label, utilização de salicórnia em detrimento de sal e com incorporação de diferentes recursos marinhos nacionais, como pescado, macro e/ou microalgas. Foram igualmente desenhadas novas embalagens sustentáveis, e estudadas e testadas estratégias para prolongar a vida útil de preparados de peixe, numa ótica de combate ao desperdício alimentar – como por exemplo o processamento por alta pressão e a aplicação de compostos naturais ou de revestimentos comestíveis com extratos com ação antimicrobiana.
 
O segundo eixo, focado nas necessidades e oportunidades para as empresas aquícolas, foram desenvolvidas ferramentas digitais que permitem obter uma série de indicadores para a tomada de decisão em áreas tão distintas como a gestão da água, da alimentação, de stocks e da adaptação a alterações climáticas.
 
Um terceiro eixo trabalhou o conceito de biorefinaria marinha, tendo sido analisados e obtidos extratos a partir de macro e microalgas com atividades antioxidante, por exemplo, para aplicação na área alimentar animal e humana, assim como ingredientes funcionais para novas formulações cosméticas e adsorventes para remediação ambiental.

Por fim, o quarto eixo do projeto focou-se no desenvolvimento de uma plataforma tecnológica que integra dados dos diferentes elos da cadeia de valor do pescado, facilitando o processo de rastreabilidade e permitindo a disponibilização destes dados ao consumidor final que passa a ter acesso a informação agregada e mais completa sobre o produto que pretende adquirir.
 
“O ValorMar representa a vontade coletiva de se investir num recurso tão identitário do país como é o mar e aproveitar aquilo que de melhor este tem para nos dar. Durante quase meia década e com um investimento de cerca de €8M, foram desenvolvidas dezenas de novos produtos e soluções de que o mercado e os consumidores vão beneficiar, direta ou indiretamente, fruto de um ambiente cooperativo de inovação, que dificilmente seria possível se cada entidade trabalhasse apenas de forma individual”, explica Marlos Silva, Diretor de Projetos R&D da Sonae MC.

O projeto foi co-financiado pelo Sistema de Incentivos à Investigação e Desenvolvimento Tecnológico no âmbito do programa Portugal 2020. O ValorMar foi liderado pela SONAE MC, reunindo um consórcio de 30 parceiros, incluindo a Fórum Oceano, entidade responsável pelaa gestão do Cluster do Mar Português.

Mais informação sobre o ValorMar em: https://valormar. pt/. O evento final do projeto pode ser visto aqui.